Caio

A chatice do mundo corporativo e o papel do Líder na motivação das equipes

A vida corporativa é um grande espetáculo, um reality show onde mascaras e dissimulações fazem parte do jogo — pessoas atuando, tentativas de puxar tapetes, reuniões sem objetivo, fofocas, falsidade, missão, visão e valores de fachada, relações frívolas e todo mundo fingindo que se gosta e que não sabe de nada que realmente acontece nos bastidores. Uma verdadeira chatice.

Mostrar que tem conteúdo e fazer cara de jogo podendo à qualquer momento sacar uma carta da manga e impressionar chefes é um trunfo, rir de piadas sem graça na esperança de conseguir a tão sonhada promoção ou mesmo manter o emprego são ferramentas de alguns jogadores.

Mas tudo isso é um imenso desgaste psicológico e, na busca por minimizar a tensão e humanizar as relações, empresas apostam em um departamento chamado de recursos humanos, o famoso RH, que em tese deveria cuidar do capital humano, no entanto tem um papel dificílimo — os funcionários sempre desconfiam das “boas” intenções do departamento, afinal, foram contratados pelo empregador.

O resultado de tudo isso? — Nem sempre os bons jogadores são os melhores profissionais, as vezes, os bons, se desmotivam e ficam na empresa só pela grana, por falta de opção ou medo de ir ao mercado buscar “coisa” melhor, o que se traduz em puro comodismo.

Isso é ruim para as empresas, pois:

  • Não tem o melhor do profissional. Ele finge que trabalha, ou trabalha no modo avião: não cria, não inova, não inspira e não empreende. Assim que conseguir, vai embora por não aguentar mais aquele lugar;
  • Esse funcionário contaminará outros, principalmente os mais novos que podem ficar como ele assim que identificar o ambiente do discurso;
  • Os clientes nunca serão tratados como se deve, pois se ele não ama sua marca não se esforçará para defendê-la.

Pior ainda para o profissional que:

  • Vive em um ambiente pesado e sem motivação;
  • Fica suscetível a doenças psico somáticas;
  • Sofre da síndrome da vinheta do fantástico (domingo a noite é um desespero, pois a segunda está vindo ai);
  • Não se atualiza, visto que não tem motivação e está acomodado.

Qual o papel do líder em todo este cenário?

O líder tem um papel vital, contudo sempre estará em um fogo cruzado — de um lado a corporação que lhe oferece um cargo de confiança e junto a isso a exigência por resultados, do outro o capital humano que precisa ser respeitado, compreendido, desenvolvido e levado a se superar, mas em todo tempo com muita ética.

Em uma olhada rápida pela livraria ou em alguns cliques pela internet é fácil perceber o quanto se falou e se fala sobre liderança, no entanto, o que se percebe é que, mesmo com toda essa informação sobre o tema nunca se faltou tanta liderança: estatísticas ainda mostram que empresas deixam de ser produtivas e perdem seus maiores talentos por falta de líderes capazes de inspirar e motivar equipes.

Claro que um líder sozinho não conseguirá fazer milagres, é preciso que as organizações também cumpram o seu papel proporcionando salários justos, ambiente agradável, transparência quanto às políticas, plano de carreira e ética profissional.

Estes fatores serão aliados da gestão de pessoas e facilitarão a vida do líder:

#1 O LÍDER É COMO O SOL

O que é o líder se não um facilitador! Ele é como o sol — uma “estrela” que energiza, ilumina o caminho e aquece os corações. Tudo com muito zelo e foco, na medida certa —, não pode faltar, mas em excesso causa insolação.

O líder de verdade se percebe no trato com as pessoas, no valor empregado, na maneira que inspira, no modo que ilumina e na forma que eleva os níveis do time. Ninguém sai de casa para fazer seu pior ou deseja passar a vida sem progredir, o líder sol é aquele capaz de gerar vida levando luz e calor. Acredite nas pessoas e as deixe crescer e desenvolver.

#2 O LÍDER DEVE CONHECER CADA FUNCIONÁRIO

Naturalmente essa é uma qualidade de um bom líder — conhecer o potencial, saber de onde vieram, as aspirações, o que motiva ou desmotiva, em que núcleo familiar vive, onde cresceu, o que gosta de fazer nas horas vagas e como enxerga a corporação que trabalha.

De posse destes conhecimentos o líder desenvolverá abordagens mais assertivas podendo desenvolver uma relação de confiança e parceria com o liderado.

#3 DEVE SABER QUAIS SÃO OS GATILHOS DE RECOMPENSA

Cada um de nós tem ambições diferentes. O que é sucesso para um não é necessariamente para o outro. Liderei um analista na área de pagamento que tinha um potencial gigantesco para liderar o departamento, era competente, carismático e tinha a formação esperada —, a pessoa ideal para a função, contudo me dizia que não queria a promoção, pois estava feliz desenvolvendo a sua função e não gostaria de assumir responsabilidades diferentes.

Perceba que o que era um gatilho de motivação e sucesso para a maioria, para ele não era. O líder deve buscar conhecer os gatilhos de motivação de cada funcionário para assim trabalhar de maneira mais acertada. Todo mundo precisa de uma motivação: um tubarão no seu tanque  — uns querem promoção, outros mais dinheiro, alguns autonomia, a maioria um ambiente mais leve e uns poucos só se motivam diante da ameaça de perder o emprego, enfim, todos nós temos gatilhos que nos levam a superação e excelência.

O analista que citei era um pedagogo, professor por vocação; estava no DNA. O que queria era ensinar outras pessoas sobre o que fazia ou outro tema que tivesse conhecimento e achava relevante passar. Acumulou a função de “desenvolvedor de workshops” e tornou-se um dos professores, vivendo feliz para sempre desde então.

#4 UMA CONVERSA FRANCA SEMPRE RESOLVE

Uma dose de sinceridade e transparência assusta, mas também encanta e gera confiança. Isso falta nas organizações. Temos muitos “segredos” e escondemos o jogo todo o tempo. É papel do líder jogar o jogo com lucidez e fazer o liderado saber onde está, onde poderia estar, o que está fazendo de errado, o que faz de certo e como se ajustar para alcançar o sucesso e superar as expectativas.

Feedback, esse é o nome técnico. Use sem moderação. Seja direto, verdadeiro e honesto na hora de dar e peça de volta — ouça o que o liderado tem a dizer, quais são seus pontos de descontentamento, deixe claro nas suas atitudes que não haverá represália, aproxime seu discurso sempre da prática, aliás, faça com que sua prática seja o seu discurso.

#5 AGITE ANTES DE USAR

Essa é a observação nos frascos de remédio, para ter a reação desejada deve-se agitar antes, o mesmo vale para o funcionário. Esqueça o uso pejorativo, mas foque em agitar o time — deixe claro quais são as expectativas da empresa sobre o funcionário, esteja certo de que ele entende que isso é um Business e que, no fim do dia, para manter o emprego, todos temos que entregar resultados.

Parece obvio, mas nem sempre é. Às vezes não fica claro para o colaborador que ele pode pensar, perguntar, questionar e empreender. Claro que de acordo com a estratégia do negócio e dentro dos “limites” estabelecidos; mas fora da caixa e em parceria com seu time e líder.

***

O mundo corporativo geralmente é artificial, egoísta, superficial e de muita fachada. O verdadeiro líder pode minimizar as dores deixando a “coisa” mais leve. Para isso existe uma pequena série de ações que o líder pode implantar no dia-a-dia para se aproximar de seus liderados:

Elogiar algo feito, se oferecer para ajudar, perguntar como ele se sente, como está sua família, como foi o fim de semana, se está claro as suas atribuições, se ele sabe fazer o que lhe foi proposto, se tem algum problema de relacionamento com o restante do time, se tem prazer de trabalhar naquela empresa e no seu time e o que você, líder, pode fazer para facilitar/iluminar o caminho dele dentro e fora da empresa.

Até a próxima!

Achiles Rodrigues