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As tendências do varejo e a importância da logística como diferencial competitivo [parte II]

Globalização, mobilidade, hiperconectividade, tecnologias, modernidade, internet… Fenômenos que mudam hábitos de consumo e formam seres humanos cada vez mais ambivalentes, plurais, complexos, multifacetados e divididos.

A necessidade de respostas cada vez mais rápidas às demandas geradas pelo novo consumidor, levou as empresas a buscar estruturas cada vez mais flexíveis, possuidoras de habilidades necessárias aos novos cenários criados.

Para atender o varejo surge então o conceito de organização em rede ou cadeia de abastecimento, que em suma é a forma organizada de perceber todos os processos que geram valor para o cliente final de um produto.

O que eleva os níveis de compreensão do varejo e de como a logística se encaixa em todos os processos. No primeiro artigo tratamos sobre como toda essa conjuntura dita às inclinações do varejo. Perdeu? Sem problemas, veja abaixo ☟☟☟

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Nesse artigo temos como proposta falar sobre a importância da logística como diferencial competitivo para o varejo e, assim levantar questionamentos relevantes que possam oferecer subsídios aos gestores para que compreendam as referidas tendências preparando-se para o futuro.

Prover a logística necessária para transportar os produtos, de modo a assegurar que esses cheguem ao consumidor deve ser a preocupação do varejo. Atender a todos os canais de distribuição é um desafio. No processo está — o varejista, o distribuidor, o atacadista, o broker, o agente e outros intermediários que ajudam a aumentar a malha distributiva de produtos.

Os varejistas clássicos vendem ao consumidor, mas em novos tempos os atacadistas, que no passado vendiam apenas aos varejista, já abriram para que o consumidor final também possa comprar. Abaixo imagem de um cadeia de suprimentos linear:

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Vimos que o eletrônico será o modelo preferido pelo consumidor, ainda que a compra possa ser concluída em outros lugares, cada vez mais, a pesquisa de produtos e de preços será iniciada em ambientes digitais: levando em conta a pesquisa on-line e a compra em loja física, essa já é uma realidade de 85% das transações em países como os Estados Unidos.

No primeiro artigo vimos que logística não é só transporte, mas o processo de planejar, implementar e controlar eficientemente o custo correto, o fluxo e armazenagem de matérias-primas, estoques, durante a produção e produtos acabados, e as informações relativas a essas atividades, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender os requisitos dos clientes.

Representando assim o elo entre todas as expectativas geradas pelos departamentos, como vendas, Marketing, finanças, custos, pesquisa e desenvolvimento, produção ou todos os setores, que, somados visam a um mesmo objetivo.

A IMPORTÂNCIA LOGÍSTICA

Logística é marketing, é vendas, é diferencial competitivo. É o que garante e garantirá a continuação de qualquer negócio no futuro. Uma entrega que não acontece ou que não gera uma experiência significativa é um marketing negativo.

A conta frete de uma empresa é responsável por até 70% do custo logístico e 20% do seu custo total, diante disso cada operação deve ser colocada sob análise para que se compreendam seus custos. Todo detalhe pode mudar o custo do frete. Se acha caro os custos para entregar, ficará aterrorizado com o preço que se paga por não entregar

Vender e não entregar, entregar atrasado, não ter uma política de trocas, ou não ter logística reversa é uma perda imensurável. O que pode acabar com as chances de um negócio que, não gerando repetição, cede espaço para uma concorrência cada vez mais acirrada.

ESTRATÉGIA DE DISTRIBUIÇÃO

Saber em que modelo operar é decisão estratégica e deve ser tomada mediante pesquisa de perfil de produto e consumidor… Ter profissionais de alto nível, processos bem definidos, políticas de qualidade, de troca, foco em sustentabilidade, segurança de pessoas e produtos, atendimento pré e pós vendas, são princípios básicos.

LOCALIZAÇÃO

Definir a localização do centro distribuidor para estar mais próximo dos principais clientes e distribuidores, com políticas de estoque enxutas, mas responsivas, armazenagem inteligente e de baixo custo, de modo que atenda o cliente, mas não se perca dinheiro; é vital.

Pontos a serem identificados:

  • Onde estão as principais fontes de fornecimento e os principais pontos consumidores;
  • O lucro de determinada região ou acessibilidade mais fácil para transportes;
  • Quais os custos de aquisição de mão de obra e equipamentos;
  • Locação de imóvel;
  • Considerar custos de fretes proporcionais às distâncias percorridas;
  • Sistema tributário (ICMS);
  • Benefícios fiscais – As variações de alíquotas e os benefícios resultantes da guerra fiscal.

TECNOLOGIA

Globalização representa um maior número de clientes nos mais diversos lugares, que possuem necessidades distintas e que necessitam de soluções diferentes, o que implica em maior flexibilidade da operação logística para atender canais, clientes e mercados com diferentes necessidades e estruturas.

Na logística a tecnologia da informação passou a ser fundamental para o êxito do negócio, possibilitando o alinhamento estratégico e importante vantagem competitiva e, não apenas em aspectos físicos como transporte e armazenagem, mas de informações gerenciais.

Relevante não só para potencializar oportunidades, mas driblar a concorrência, estreitar relacionamento com o cliente e prever intempéries futuras.

A ideia de que investir em tecnologia é algo caro e os pequenos não tem condição para tal, e, assim só os grandes podem, é ultrapassada. Tecnologia da informação é alternativa criativa para minimizar dificuldades, impulsionar os negócios e reduzir custos, além de melhorar a produtividade e a eficiência.

CUSTOS (COMPOSIÇÃO, MEDIÇÃO, KPI’s E OUTRAS AÇÕES)

Para compreender a relevância deste tema vou sugerir a leitura de um artigo que escrevi há pouco tempo sobre a importância dos custos: 99% de seus Custos Logísticos são controlados, mas aquele 1% é “vagabundo”? (não pule a leitura, o artigo tá muito massa ☟☟☟).

 

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TRANSPORTADORA OU OPERADOR LOGÍSTICO? CARGA FRACIONADA OU LOTAÇÃO?

Essas são decisões importantes — como escolher o modelo de operação logística —, transportadora ou operador? Lotação ou fracionado? Terceirizar ou fazer você mesmo?

Diferenças entre operador logístico e transportadora ou prestador de serviços:

Na cadeia de suprimentos operadores logísticos e outros prestadores de serviços são definidos pelas siglas 1PL, 2PL, 3PL e 4PL. “P” vem da palavra Part (ou grupo) e “L” vem de Logistics.

Assim, o 1PL  corresponde ao fornecedor; o 2PL, ao comprador; 3PL, ao operador logístico terceirizado e o 4PL, ao gestor da cadeia de suprimento (supply chain management).

Operador logístico é “um fornecedor de serviços logísticos integrados, capaz de atender a todas ou quase todas as necessidades logísticas de seus clientes de forma personalizada”, atendem no mínimo a gestão de estoques, armazenagem e gestão de transportes.

Enquanto prestadores de serviços especializados como transportadoras, armazenadores, gerenciadores de recursos humanos e de informação em geral oferecem serviços genéricos sem personalização, com know-how limitado.

Diferenças entre carga fracionada e lotação:

Fracionado: Uma transportadora de carga fracionada se ocupa em consolidar cargas de diversos clientes, geralmente com as mesmas características. São clientes que têm uma demanda para determinada região e, que não ocupa o limite total de um veículo, assim, uma carga que não é suficiente para a lotação.

Para minimizar os custos contrata-se uma transportadora que trabalha com carga fracionada, em alguns momentos o valor agregado do produto é considerado baixo e a possibilidade de consolidação com outras não coloca em risco a integridade do produto.

Lotação: a carga lotação (carga fechada) é aquela que ocupa totalmente um caminhão ou faz-se necessário ser transportada sozinha. A carga lotação tem um caráter de exclusividade, a transportadora dedica um veículo transportador somente para a carga do contratante, indo diretamente ao destino, sem a necessidade de efetuar demais entregas ao longo do percurso.

Para aprofundar os conhecimentos sobre transportadora, operadores logísticos, terceirização e outros temas importantes, sugiro a leitura dos dois artigos abaixo ☟☟☟

OL

 

Transp

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A necessidade de atender demandas cada vez maiores em espaços de tempo cada vez mais reduzidos, alcançando os níveis de serviços estipulados, ao menor custo possível, garantindo a satisfação de clientes e fornecedores gerando repetições cada vez maiores e mais freqüentes é o que se espera de um negócio de sucesso hoje.

No varejo será importante, por parte de todos, flexibilidade e criatividade para atender compras virtuais e físicas. É preciso ter opções para todos os perfis de clientes e consumidores:

  • Compra virtual e retira ou troca física;
  • Delivery para todos os cenários;
  • Entregas agendadas (aqui a roteirização torna-se imprescindível);
  • Troca e devoluções com possibilidade de uso do veículo entregador gerando assim custo zero para o cliente;
  • Composição do custo do produto vislumbrado “entrega sem custo” para o cliente.

Não tem mágica para fazer da logística um diferencial competitivo, mas tem alguns segredos, ações simples, no entanto poderosas: gestão de alto nível, processos bem definidos, controle dos custos e trabalho duro. Siga essas quatro dicas e seu negócio e carreira será um sucesso!

Até a próxima!

Achiles Rodrigues