Inteligência Emocional: desenvolva-a ou acostume-se com a autossabotagem

Gerenciar as emoções e não permitir ser sequestrado por elas é fator determinante para a felicidade e sucesso. Ser bem-sucedido na carreira e na vida, depende muito mais de saber controlar as próprias emoções do que ter altos níveis de QI (coeficiente de inteligência).

No mundo empresarial, o QI (coeficiente de inteligência) alto consegue um bom emprego. O QE (coeficiente emocional) alto garante promoções. Daniel Goleman

Conheci muitas pessoas inteligentes e talentosas com currículo invejável — graduados e pós-graduados em universidades conceituadas, poliglotas com quatro idiomas no alforje, vestindo-se de acordo com o “dress code” da moda e falando o muito bem o “corporativês“. Contudo, e, apesar de todo esse arsenal preparativo, não chegaram ao status tão sonhado e prometido pela academia: o sucesso profissional.

Vi também muita gente (e você se lembrará agora de uma porção delas) que sem metade desse preparo, galgaram todos os degraus corporativos alcançando o tão almejado sucesso profissional e hoje estão nas mais altas posições de liderança.

Será azar de um e sorte do outro? Acho que não viu, o dilema aqui é distinto…

Ter um bom QI (mesmo o popular Quem Indica) e habilidade técnica é elementar para “saber fazer”, mas muito além disso é necessário que se saiba como fazer da melhor maneira possível. Pesquisas afirmam que o sucesso profissional depende em mais de 80% da inteligência emocional e menos de 20% de habilidades técnicas e tecnológicas.

Assim sendo, nada tem a ver com sorte ou azar não é mesmo?! É questão de Inteligência Emocional (QE). Conhecida pela psicologia como maturidade, a inteligência emocional é a “cola” que uni razão e emoção, extraindo o melhor de cada um, potencializando nossas chances de sucesso na vida e na carreira.

“Inteligência emocional não é o oposto de inteligência racional, mas sim a confluência das duas”.

Inteligência Emocional

A inteligência emocional é a competência que nos permite controlar nossas emoções e expressá-las de forma assertiva. É um conceito em Psicologia que descreve a capacidade de reconhecer e avaliar os seus próprios sentimentos e os dos outros, assim como a maestria de lidar com eles.

A primeira menção ao termo inteligência emocional foi feita por Charles Darwin que em sua obra referiu a importância da expressão emocional para a sobrevivência e adaptação. Contudo, o tema ganhou relevância quando o psicólogo, escritor e PhD da Universidade de Harvard Daniel Goleman, popularizou o conceito por meio do livro Inteligência Emocional (leitura obrigatória).

“Está sob o guarda-chuva da inteligência emocional: autoconsciência, autorregulação, motivação, habilidades sociais (inteligência interpessoal), empatia, resiliência, antifragilidade“.

A ausência de Inteligência emocional gera a auto sabotagem

A ausência de habilidade emocional provoca à auto sabotagem. Todos nós temos um sabotador interno. Ele é sua criação, mora dentro de você, trata-se do eu interior. Ele não é nem bom nem mau, apenas está ai.

O psicólogo norte americano Stanley Rosner, autor do livro O ciclo da auto sabotagem, diz que a auto sabotagem é a tendência a repetir, indefinidamente, atitudes destrutivas. O indivíduo prefere acreditar que a insatisfação é apenas fruto de algo externo. E essa negação faz com que ele siga em frente, sempre sofrendo.

Esse sabotador pode ser o responsável por tanto desequilíbrio, insegurança, medo e ansiedade. Quando nos deixamos dominar por este cara — oportunidades são desperdiçadas, relações ficam conturbadas e o sucesso não chega…

Abraham Lincoln disse que: “A melhor forma de destruir seu inimigo é converter-lhe em seu amigo”, 

O hoje Sabotador, pode se transformar em Motivador Interno. Como fazer isso? Identificando-o e transformando-o em aliado.

Se você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você está certo. Henry Ford

Para acabar com a auto sabotagem, conhecer a si próprio e conhecer os outros, ou seja, ter Inteligência Emocional, se torna a habilidade mais importante a ser desenvolvida.

Em todas as dimensões da vida, seja no trabalho, nas amizades ou em casa, os relacionamentos interpessoais são à base de tudo — clientes são pessoas, funcionários, amigos e família são pessoas, logo, não há felicidade e sucesso sem entender pessoas.

No filme Uma mente brilhante, John Nash é gênio matemático e esquizofrênico de pensamento não convencional, que em uma cena épica, passada em um bar, mostra na prática o que é inteligência emocional, ou melhor, a falta dela. Enquanto qualquer pessoa “normal” usaria os rodeios da paquera para chegar ao objetivo, John Nash vai logo à proposta de uma “troca de fluidos”. Assista a cena abaixo e veja no que deu:

No passado, o mercado levava muito mais em conta capacidades técnicas; habilidades matemáticas e raciocínio lógico para contratar um profissional, mas o demitia depois por “mau comportamento”, ou por conta de sinceridade em excesso como no caso do gênio John Nash (conheci alguns sincericidas).

“As pessoas são contratadas pelas suas habilidades técnicas, mas são demitidas pelos seus comportamentos” Peter Drucker

Quando não se demite, estaciona o profissional. O que o faz ficar anos a fio em uma mesma posição sem se quer “sofrer” uma movimentação lateral.

Você deve conhecer profissionais assim — monstros tecnicamente, com conhecimento de todos os processos do negócio — o mais indicado (deste ponto de vista) para tornar-se o gerente da área ou o líder do projeto. Mas não serão, nunca serão (lembrei-me do filme tropa de elite).

Como desenvolver uma armadura Emocional?

Que bom que perguntou.

Você já deve ter percebido que desenvolver uma “armadura emocional” não será bom apenas para o mundo dos negócios, mas para todas as dimensões da vida.

Vejo no dia-a-dia as pessoas dando “socos em ponta de faca“, reclamando da vida, do chefe, dos pares. Dos ventos contrários que sopram sem parar. Isso é nocivo e não resolve. O vento sempre soprará contra e tentará lançar seu barco contra as pedras da derrota, do insucesso, da mediocridade. Na vida corporativa, principalmente, isso é comum.

É insano lutar contra o vento, um erro primário. Ele não vai cessar, não temos controle e nunca teremos sobre o vento. O que podemos, e, devemos fazer, é, ajustar as velas de nosso barco para que ao soprar, o vento nos impulsione em direção ao que queremos.

Desenvolver uma armadura emocional é ajustar velas do autoconhecimento.

Não tenho todas as respostas. Cada ser humano é único. Mas não tenho dúvidas que conhecer-se, saber o que te motiva e, o que te coloca pra baixo, é basilar. Entender porque pensa como pensa, não pensando de outra forma, é o caminho para conquistar inteligência emocional.

“CONHECE TE A TI MESMO”

Conhece te a ti mesmo é um aforismo grego atribuído ao filósofo grego Sócrates (479-399 a.C.). Sócrates teria tomado a inscrição da entrada do templo de Delfos como inspiração para construir sua filosofia.

Suda, enciclopédia grega de conhecimento do século X, diz que: “O provérbio é aplicado àqueles que tentam ultrapassar o que são”. Uau; que fantástico!!!

Para o pensador grego o autoconhecimento é o ponto de partida para uma vida equilibrada e, por consequência, mais autêntica e feliz.

Nessa viagem ao eu interior, em busca do desenvolvimento da Inteligência Emocional, devemos examinar nossa cultura, padrões éticos e morais que é a raiz de nossas crenças, nossas opiniões sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o que acontece em nossa vida.

Para obter sucesso profissional e pessoal é vital que saiba se relacionar. Saber interagir com as pessoas garantirá o tão sonhado sucesso profissional. Portanto, conhece-te a ti mesmo e não se deixe sequestrar por suas emoções. Ser inteligente e ter talento; é primordial, mas se seu QE (coeficiente emocional) for subdesenvolvido não chegará muito longe.

Até a próxima!

Achiles Rodrigues