teens_shutterstock_521351383.jpg.1440x1000_q85_box-200980668_crop_detail-960x630

A geração Z vem com tudo, liderá-los terá outra conotação

A porta da sala se abre e totalmente intrigada minha filha me conta uma experiência incrível que acabou de ter: o Uber que à trouxe do inglês havia imprimido o Waze e o estava utilizando como um livro.

— Pai, isso é genial, pois se o pacote de dados dele acaba, ou tem seu celular roubado, ele não se perde e consegue levar o passageiro ao seu destino. Ele foi muito esperto.

Fiquei inclinado a tentar explicar que provavelmente se tratava de um velho guia de ruas usado por um provável dinossauro da geração Baby boomers que estava trabalhando como Uber. Mas aí perderia a graça. Claro que entrei no “jogo”.

— Ual filha que disruptivo, esse cara é mesmo um gênio. E como ele fazia pra consultar o mapa enquanto dirigia?

— Ah, ele parou por duas vezes pra ver o melhor caminho. O tio era muito cuidadoso.

Foi então que eu tentei provocar uma revolução tecnológica, mas acho que não fui bem-sucedido :(.

— Poxa legal. Já pensou se tivesse como instalar o botão no livro que ao apertar ele falasse como faz o Waze e ele não precisasse parar pra consultar. O que acha?

Ela levantou os olhos pra cima em um claro sinal de que o comentário era meio retardado, colocou o fone de volta e disse que a Vivi estava ligando por vídeo e lá se foi pro quarto.

Minha filha é, o que Organização das Nações Unidas (ONU) em sua divisão geracional classifica de geração Z. A galera nascida no século XXI (2000/2001), e que em 2019 completaram 18 anos chegando com tudo ao mercado de trabalho.

Podendo votar, viajar sozinhos para outro país, dirigir, ser eleito e até se hospedar em hotéis e motéis (ai meu coração).

Nesse ano os Zs serão um terço da população do planeta e um quinto de seus trabalhadores. Uma geração totalmente digital que superará em quantidade os Millennials: a geração da moda da última década que já estávamos começando a nos acostumar.

OS DESAFIOS DA LIDERANÇA PARA TEMPOS MODERNOS

O mundo vem presenciando um apagão de líderes. Parece loucura falar isso em tempos onde não se fala de outra coisa. Mas basta uma pesquisa rápida, mesmo boca a boca, pra perceber que bons líderes estão em falta…

Pergunte por exemplo o que é ser um líder ou qual seu papel e ouvirá chavões como: Líder é aquele que entrega resultados através de pessoas. Líder é quem inspira. Ser líder é diferente de ser chefe. Liderar é ir na frente. O líder tem que ser democrático. Encontre seu estilo de liderança e blá, blá, blá…

Todos parecem ter a resposta final do que é liderança, mas na prática pesquisas mostram outra realidade: 72% das pessoas estão insatisfeitas com o trabalho e a culpa é dos líderes. Chefes ruins fazem os funcionários se demitirem. Para 75% dos americanos, chefe é maior causa de estresse no trabalho. Chefes ruim podem adoecer os funcionários

Liderança é uma jornada, não um destino. Por não entender assim, empresas e líderes vem enfrentando grandes dificuldades para liderar gerações que, em certa medida são “velhas conhecidas”, imagine quais serão os desafios e implicações de liderança em um cenário onde estarão trabalhando juntas 4 gerações:

  • Baby Boomers (nascidos entre 1945 e 1964): focados em controle e em um padrão de vida estável. São workaholics que valorizam trabalho árduo e carreira sólida.
  • X: (nascidos entre 1965 – 1984): são filhos da Geração Baby Boomer; a maioria dos líderes de hoje. Com preferência por qualidade e não quantidade, valorizam o empreendedorismo e focam em equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
  • Millennials/Y (nascidos entre 1985 e 1999): buscam posições de liderança, são questionadores, ansiosos e imediatistas, vivem em redes sociais e não se prendem a uma empresa.
  • Z (nascidos depois de 2000): são totalmente tecnológicos, engajados sociais, entediam-se facilmente, estão sempre em busca de algo melhor e são preocupados com o meio ambiente, sustentabilidade e responsabilidade social.

Não há dúvidas que a liderança moderna enfrentará desafios ainda maiores para os próximos anos. E isso se dará por três razões:

1 – É impossível o ser humano aprender algo que ele acredita que já sabe:

É exatamente isso que acontece com empresas e líderes, todos acham que já tem as respostas para o que é liderar, e assim, vão colocando pra fora talentos e aumentando os índices de Turnover.

Humildade será preciso pra reconhecer que o que deu certo nas últimas décadas, talvez não funcione nas próximas. Aliás, esse é um erro clássico de alguns líderes: não é porque um modelo foi sucesso com uma equipe ou um negócio que dará certo em outro contexto.

O sucesso de liderança não tem fórmula universal, está ligado ao contexto. Você precisará ver o que funciona no seu contexto atual para então adaptá-la e gerar resultados.

Para qualquer profissional do mundo atual, mas especialmente para os que desenvolvem ou desejam desenvolver a liderança, a observação mais importantes é: continue aprendendo, continue crescendo, continue mudando.

2 – Esse papo de: encontre seu estilo de liderança é uma grande falácia:

Já viu aqueles testes pra identificar o estilo de liderança: mais visionário, pragmático, inspirador, democrático, autocrático, situacional, paternalista e talls? Ou que animal você é: leão, águia, golfinho e etc.?

Não quero desconstruir nada, até porque não sou um tipo de guru que bate uma estaca sobre nada, mas cara, já fiz algumas vezes, portanto sou alguém que provou os testes, e, como estudioso do tema diria: esquece isso aí.

Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou (Heráclito). 

O que o nosso brother disse há muitos séculos foi que: a gente muda o tempo todo. As pessoas, organização e sistemas de gestão mudam. Isso é fato.

Esses testes podem fazer sentido de algum ponto de vista, claro que podem. E possivelmente ajude em algum mapeamento para ações que visem desenvolver habilidades, entretanto, não determinam verdades absolutas.

3 – A nova geração tem desejos e expectativas bastante diferentes das antigas:

Executar ordens sem a clareza de um propósito. Trabalhar 12 ou 14 horas por dia. Receber apenas um bom salário para motivar as ações e outros pontos, antes aceitos, não parece ser o que dará certo com a geração Z.

Eles querem um propósito para trabalharem. Trabalho e vida pessoal se misturam, salário não é o principal fator motivador, antes disso vem outras coisas como desafio, sustentabilidade, clima e etc.

Liderar ganha nova conotação no novo milênio. Será?

Liderar é levar as pessoas onde elas não iriam sozinhas [Henry Kissinger]

Penso que Kissinger, ex-secretário de estado Americano, não quis dizer que o papel do líder do novo momento é se adequar pra atender a todos os anseios da nova geração, não mesmo.

Ele aponta pra uma melhor preparação, habilitando-se para levá-los onde talvez nem mesmo eles saibam que deviam ir, porém, quando estiverem lá; serão os líderes que a nação: empresas, Ongs, igrejas e outras repartições precisam.

Para isso acontecer, o líder deve inspirar por valores éticos e morais e não só por carisma, oferecendo um propósito e não apenas metas a bater. Liderando em 360 graus, ou seja, sendo um líder integral: com presença digital, respeito social e reputação.

Tenho quatro pistas do que e de como fazer:

  • Defina expectativas claras, o que é uma via de mão dupla. Para isso você precisará ouvir e compreender desejos e necessidades de cada membro da equipe. Converse muito e de forma genuína com cada um;
  • Tenha uma visão que motive a equipe a caminhar. Explique porque a visão é importante, suas dificuldades e oportunidades no fim da jornada;
  • Comunique-se com clareza, pois esse foi, e, é um dos maiores desafios da liderança. Se aproxime de cada integrante de sua equipe e harmonize seu coração com o deles fazendo-os compreender o que as vezes, somente as palavras não conseguem explicar;
  • E por fim, e mais importante: seja Positivo. Comemore cada pequeno avanço. Premiê os melhores comportamentos: foque nas forças de cada um e não nas fraquezas, concentrando-se no que pode ser feito no futuro, não no que deu errado no passado; descubra coisas a elogiar, não a criticar. Ser positivo torna-o mais acessível, o que significa comunicar-se melhor. (Jo Owen).

As portas continuarão se abrindo e a nova geração sempre estará trazendo sua visão de mundo. Sejam velhas ideias com nova roupagem ou inovações ainda a serem lapidadas, mas que mudarão o status quo…

De qualquer modo, esteja pronto para jogar o jogo com lucidez, aprendendo e crescendo e, se fizer necessário, imprimindo mapas para te deixar mais esperto e encontrar os caminhos, ou mesmo para não se perder nos caminhos aparentemente já conhecidos; assim como o cara do Uber.

Até a próxima!