Vivemos em uma era de transformações tecnológicas exponenciais — alta conectividade; mobilidade, inteligência artificial, internet das coisas, robótica, realidade virtual, realidade aumentada, drones transportando pessoas, automação, ufa!!!
Nunca foi tão importante pensar de forma disruptiva…
Toda essa revolução tecnológica e de automação influencia diretamente mudanças sociais e culturais. Aquilo que funcionou no passado já não funciona mais, basta dizer, por exemplo, que hoje, 60% dos jovens estão aprendendo profissões que vão deixar de existir nos próximos 10 anos.
Pensar fora da caixa pode ser sinônimo de maturidade intelectual e emocional. O indivíduo que enxerga fora da caixa tem pensamento crítico e atitude para inovar, criar, empreender. Desviando-se do senso comum ao questionar o status quo. A expressão vem do inglês “Think outside the box” e tem sua origem incerta.
Apesar de vital para o sucesso, a expressão já se tornou um surrado clichê corporativo. Todas as vezes que ouço alguém dizer: “você precisa pensar fora da caixa”, tenho a impressão que ele ou ela, não tem a mínima noção do que está falando. Ou tem?
Penso que não basta dizer para alguém pensar fora da caixa, é preciso mais que isso. Se você é uma dessas pessoas que vivem vomitando esse clichê para pessoas, pode ser (eu disse pode ser) que esteja produzindo mais dúvidas do que clarificando as ideias ou iluminando os caminhos.
Por quê?
Pense junto comigo:
A expressão “pensar fora da caixa” pressupõe que a pessoa esteja lá, dentro da caixa. E, uma vez no seu interior, a caixa torna-se fator limitador da visão, e, se não podemos ver além dos limites, fica extremamente difícil imaginar algo fora.
Ainda que “estar dentro de uma caixa”, quase sempre será uma verdade para qualquer pessoa, de um determinado ponto de vista. Mas do ponto de quem ouve pode soar como:
Você é um quadrado: antiquado, limitado, retrogrado, sem novas ideias. Um reacionário de pensamento arcaico, obsoleto, antigo.
E ai, o que deveria ser uma provocação para livrar o outro das amarras da mesmice; fomentando o olhar crítico para o mundo externo pode ter efeito contrário — a pessoa pode se sentir ofendida, fechando-se de vez…
MAS TEM OU NÃO TEM A CAIXA?
Possivelmente.
Vivemos em um montão delas: a caixa da família, do casamento, dos amigos, do curso e outras tantas. Trabalho é só mais uma. O mundo como conhecemos — quadrado ou mais redondo (no caso de alguns), é a caixa que nos é familiar —, qualquer coisa fora dela inexiste, é inalcançável.
Não é uma tarefa fácil identificar as caixas que limitam o pensamento criativo, na maioria das vezes precisamos de ajuda para percebê-las.
Muito mais do que falar, se quisermos ajudar de fato, precisamos mostrar como se faz na prática, “pegar pela mão” e provar por “A + B” que existem outras maneiras de fazer o que se faz ou viver como se vive.
Rasgar, abrir janelas, expandir a caixa ou jogar ela fora é decisão e escolha de cada um. Acredito que existem algumas formas de fazer isso, a mais efetiva, em minha humilde opinião — é com aumento de repertório.
COMO “EXPANDIR” A CAIXA
Você há de concordar comigo (ou não. E assim é até melhor para expansão do conhecimento) que quando estamos muito tempo na mesma empresa, casamento, profissão… Quase sempre nos alienamos ao mundo externo. Zona de conforto é uma merda.
Acomodamo-nos nela por acreditar que estamos seguros e já sabemos o que precisamos saber para estar onde estamos. Caraca velho… Como essa falsa sensação é nociva à evolução enquanto individuo.
Você não conhece tudo que pensa que conhece.
“Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.” (frase atribuída ao Sócrates de Platão) .
A humildade em reconhecer que quase nada se sabe, é o caminho para saída das caixas que vivemos.
Ei cara! Você é o único responsáveis pelo desenvolvimento e evolução de sua carreira.
Quer pensar fora da caixa?
1. Viva outras experiências: conheça outros campos de saber, cases; “novos jeitos” de fazer. Faça Benchmarking, o mercado tem boas práticas para dividir. Nunca se feche ao novo.
2. Ouça pessoas de outras culturas e áreas: “Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade”. Isso dizia o mestre Rubens Alves, de quem sou fã de carteirinha. Ele dizia também: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular”. Seja praticante da escutatória para sair da caixa.
3. Leia até bula de remédio: “Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma”. George R. R. Martin. Na construção de um vasto reportório, a leitura é a base principal. Dica de ouro: não leia só material de sua área de atuação, mas de todas outras áreas, pois criatividade é combinatividade (veja esse artigo sobre criatividade). Quem lê pensa fora da caixa e se destaca da multidão.
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O sistema está em constante evolução, evolua você também. São as perguntas que mudam o mundo, não as respostas. Nunca aceite a primeira resposta “certa”, questione, desvie-se do senso comum.
Quer ajudar alguém a pensar fora da caixa? Sugira outro caminho, outra direção. Dê um livro de presente. Sente-se e divida sua visão de mundo. Se ele/ela não entender! Tente de novo…
Não sei o que você pretende fazer — se vai olhar para fora da caixa, rasgar essa caixa ou expandi-la. O importante é que faça algo para mudar —, só não fique sem fazer nada…
“Você precisa pensar fora da caixa”.
A expressão tornou-se um clichê, no entanto carrega em sua essência uma verdade que nada tem de clichê; muito pelo contrário.
O conhecimento foi, é, e sempre será o mais libertário de todos os mecanismos de expansão das caixas limitadoras e padrões pré-estabelecidos.
Até a próxima!
Achiles Rodrigues